Entre o amor de amamentar e o cansaço de continuar 🤍
Eu amamentei minhas duas filhas.
Com a minha primeira, amamentei até os dois anos.
Quando senti que tinha chegado ao fim do nosso ciclo, conversei com ela, disse que não teria mais mamazinho e, de uma forma muito tranquila, aquele foi o último dia.
Eu lembro como se fosse hoje.
Tirei foto.
Chorei. 🥹
Guardei aquele momento dentro de mim.
Porque eu sabia que era a última vez.
E foi lindo.
A amamentação com ela foi muito gostosa. No começo, claro, teve adaptação, bico rachado, pomada, ajustes e tudo aquilo que muitas mães conhecem bem. Mas depois que a gente pegou o jeito, virou um momento nosso.
Um vínculo.
Um lugar de aconchego.
Uma memória que eu carrego com muito amor.
Com a segunda, foi diferente
Quando minha filha mais nova nasceu, parecia que ela já sabia mamar. 🤱🏻
Na maternidade, quando coloquei ela no peito pela primeira vez, ela simplesmente soube o que fazer.
Foi uma das coisas mais fofas que eu já vi.
Mas, apesar disso, no começo ela não parecia gostar tanto assim de mamar.
Eu precisava insistir.
Tentava em um horário, depois mudava para outro, ia adaptando, procurando um jeito de fazer funcionar.
Porque, para mim, amamentar era importante.
Pela saúde dela, claro.
Mas também pelo vínculo.
Eu já sabia como podia ser bonito.
Eu já tinha vivido isso com a irmã dela.
E queria muito viver com ela também.
Só que, ao mesmo tempo, comecei a preparar meu coração para a possibilidade de ela desmamar antes.
Fui tentando me convencer de que tudo bem.
Que cada filha é uma filha.
Que cada história é uma história.
E aí, como a maternidade adora surpreender a gente, aconteceu o contrário.
Ela passou a amar mamar.
Hoje, com um ano e sete meses, se pudesse, mamava o dia inteiro.
E a noite inteira também. 🌙
Quando algo lindo também cansa
Eu amo amamentar.
Amo o vínculo.
Amo o carinho.
Amo a sensação de ser abrigo.
Mas preciso ser honesta: hoje a amamentação tem me cansado muito.
Principalmente à noite.
Tem noites em que ela acorda quatro, cinco, seis vezes querendo mamar.
E eu vou.
Dou o peito.
Acolho.
Nino.
Volto a dormir.
Ou tento.
E no dia seguinte a rotina continua exatamente igual.
Duas crianças.
Casa.
Trabalho.
Demandas.
Cansaço.
Vida acontecendo.
E aí uma coisa que é cheia de amor começa também a pesar no corpo.
Porque amar amamentar não significa que seja leve o tempo todo.
Gostar do vínculo não significa não se sentir exausta.
Ser grata por ter conseguido amamentar não significa não desejar dormir uma noite inteira.
E talvez essa seja uma das partes mais difíceis de admitir.
A culpa de pensar em parar
As pessoas em volta começam a falar:
“Já está na hora de tirar.”
“Ela já mamou bastante.”
“Você precisa descansar.”
E eu entendo.
De verdade.
Mas dentro de mim existe um aperto.
Porque encerrar ciclos é difícil.
Ainda mais um ciclo tão bonito.
Ainda mais quando eu sei o quanto ela gosta.
E tem também uma comparação que eu tento não fazer, mas faço.
Eu amamentei a irmã dela até os dois anos.
Então uma parte de mim sente que deveria fazer o mesmo por ela.
Como se fosse injusto encerrar antes.
Como se eu estivesse tirando algo dela para poder descansar.
E olha como a cabeça de mãe funciona.
A gente sabe que está cansada.
Sabe que precisa se cuidar.
Sabe que o corpo tem limite.
Mas, mesmo assim, se pergunta se está sendo egoísta.
Como se o descanso da mãe fosse sempre menos importante.
Entre o amor e o limite
Eu acho que a amamentação é um desses lugares onde a maternidade mostra toda a sua complexidade.
Porque não é só sobre leite.
É sobre vínculo.
Corpo.
Entrega.
Culpa.
Limite.
E também sobre o medo de encerrar uma fase que nunca mais volta.
Ao mesmo tempo, é sobre lembrar que a mãe também existe.
Uma pessoa que ama muito.
Mas que também cansa.
Uma pessoa que quer oferecer colo.
Mas que também precisa de descanso.
Uma pessoa que quer respeitar o tempo da filha.
Mas que também precisa respeitar o próprio tempo.
E não é simples saber onde fica esse equilíbrio.
Mais um ciclo que um dia vai terminar
Eu ainda não sei exatamente como vai ser o desmame.
Não sei se vai ser fácil como foi com a irmã dela.
Não sei se vai ser mais difícil.
Não sei se vou esperar os dois anos ou se vou sentir antes que chegou a hora.
O que eu sei é que esse pensamento já começou a aparecer.
E só de pensar, meu coração aperta.
Porque, por mais cansativo que esteja sendo, eu sei que um dia vai acabar.
Um dia ela não vai mais pedir mamazinho.
Um dia ela vai dormir de outro jeito.
Um dia esse corpo que hoje é abrigo vai deixar de ser procurado com tanta urgência.
E talvez eu sinta falta.
Mesmo tendo desejado descanso.
Talvez eu chore.
Mesmo sabendo que era necessário.
Talvez eu entenda, mais uma vez, que a maternidade é feita disso:
amar uma fase e, ao mesmo tempo, desejar que ela pese menos.
Querer guardar tudo e, ao mesmo tempo, precisar seguir. ✨
Não existe resposta fácil
Eu ainda estou nesse meio do caminho.
Entre continuar e começar a encerrar.
Entre o amor pelo vínculo e o cansaço das noites quebradas.
Entre a vontade de dar a ela o mesmo tempo que dei para a irmã e a necessidade de olhar para mim também.
E talvez não exista uma resposta perfeita.
Talvez exista apenas uma mãe tentando decidir com amor.
Tentando respeitar a filha.
Tentando respeitar o próprio corpo.
Tentando não transformar um ciclo lindo em um peso insuportável.
Tentando entender que encerrar também pode ser cuidado.
Com ela.
E comigo.
Porque amamentar foi, e ainda é, uma das experiências mais bonitas que vivi na maternidade.
Mas talvez parte do amor também seja reconhecer quando uma fase começa a pedir despedida.
Mesmo que devagar.
Mesmo que com lágrimas.
Mesmo que com saudade antes mesmo de acabar.
Com carinho,
Mamãe Ju 🤍